Eu nunca fui fã do trabalho de Ron Howard, apesar de considerá-lo um diretor competente. Filmes como Uma Mente Brilhante, Apollo 13 e O Preço de um Resgate atingiram sucesso de crítica e público, mas para mim sempre representaram o que Hollywood tem de mais careta. No entanto, ao assistir seu último trabalho, Frost/Nixon, fui obrigado a me render. Howard nos dá uma verdadeira lição de cinema, e em minha opinião, realizou sua grande obra-prima.Baseado na peça de teatro de Peter Morgan, que também assina o roteiro, Frost/Nixon utiliza um tom de documentário ao contar os bastidores da negociação, preparação e posterior gravação da entrevista de David Frost com Richard Nixon, três anos após a renúncia de seu mandato.
Frost é um apresentador bem-sucedido no Reino Unido e Austrália, mas ainda amarga um fracasso na TV norte-americana, onde teve seu programa cancelado. Ele vê na renúncia do ex-presidente Nixon uma oportunidade de alavancar sua carreira nos EUA, ao entrevistá-lo. E, apesar de diversas adversidades, dá início a uma longa batalha para realizar o projeto. Por outro lado, Richard Nixon busca redenção, e ao aceitar a proposta de Frost, visualiza uma oportunidade de mudar sua imagem junto ao povo americano (mas não sem antes cobrar um modesto cachê de US$ 600 mil).
O grande feito de Frost/Nixon é conseguir humanizar os personagens e fugir de qualquer tipo de maniqueísmo sem parecer artificial. Howard achou o tom certo da direção para conseguir dar profundidade psicológica ao filme. Toda a fragilidade humana, em seus mais diversos aspectos, é mostrada com sinceridade, o que desperta simpatia e até identificação no expectador. A “batalha” entre Frost e Nixon apresenta altos e baixos para ambos os lados, mas fica bem claro que o que move esses homens é a mesma coisa. Que é exatamente a mesma coisa que move todos nós. Em entrevista, Howard declarou: “Não é um filme sobre política, é uma história humana sobre o fato de estar no fundo e tentar sair dessa situação usando todas as ferramentas que se tem ao alcance”.Um dos grandes pilares da obra está no trabalho memorável realizado pelos atores. Tanto Frank Langella (Nixon) como Michael Sheen (Frost), haviam interpretado seus respectivos personagens na montagem teatral, o que certamente deu mais segurança a Howard. O poderoso elenco de apoio também é impecável e conta com nomes como Sam Rockwell, Kevin Bacon, Michael Macfadyen, Oliver Platt, Toby Jones e Rebecca Hall.
Resumindo: Frost/Nixon é um filme soberbo e grandioso, mas extremamente humano. Um grande trabalho de Ron Howard que merece ser apreciado.
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