Este é o caso da cinebiografia Milk – A Voz da Igualdade, de Gus Van Sant. A direção é extremamente convencional e quadrada, o roteiro pouco criativo, e o filme, em diversos momentos, enfadonho. Mas a atuação de Sean Penn é extraordinária e carrega o filme nas costas. Ele interpreta o político e ativista gay Harvey Mik com uma sutileza única, que passa longe de qualquer esteriótipo. Se alguém ainda tinha dúvidas, este trabalho o coloca entre os grandes atores da atualidade. Outro destaque é um irreconhecível Emile Hirsch (Speed Racer, Na Natureza Selvagem), grande promessa da nova geração. O filme também vale ser visto pela própria história de Milk, que lutou arduamente pelos direitos dos homossexuais nos Estados Unidos até ser assassinado à queima-roupa pelo rival político, Dan White (interpretado pelo superestimado Josh Brolin).
Outro trabalho que vale ser conferido é a atuação de Kate Winslet em Apenas um Sonho, de Sam Mendes (marido de Kate na vida real). O filme reúne novamente o par de Titanic e conta os dramas de um casal de classe média norte-americana nos anos 50. April e Frank Wheeler são aparentemente felizes e vivem com os dois filhos em um subúrbio de Connecticut. April é uma dona de casa que abandonou o sonho de ser atriz, enquanto Frank tem um emprego bem remunerado, mas tedioso. Assim, o casal não sabe se vai atrás de seus verdadeiros desejos ou enfrenta o peso do conformismo. A irregularidade do filme enfraquece a reflexão a que ele se propõe, apesar de alguns belos e profundos momentos, e o final forçadamente catártico - tipicamente hollywoodiano - azeda de vez a obra . Mas Winslet consegue hipnotizar o expectador com seu brilhante trabalho de atriz. DiCaprio não compromete e mostra um trabalho um pouco mais maduro, mas ainda longe da perfeição. Decepcionante, mas digno de uma espiada.

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