terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Danse Macabre (por Tiago Grandeza)

Welcome to my nightmare
Welcome to my breakdown
I hope I didn't scare you
That's just the way we are
When we come down
We sweat and laugh and scream here
Cuz life is just a dream here
(Alice Cooper)


Ganhador do Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e indicado ao Oscar na mesma categoria, Valsa com Bashir foi a forma encontrada pelo diretor israelense Ari Folman para exorcizar seus fantasmas de guerra. O documentário em animação conduz o expectador a um pesadelo que recria a Guerra do Líbano.

Em junho de 1982, o exército israelense invadiu o Líbano com o apoio de milícias libanesas. No ano seguinte, com permissão (ou omissão) israelense, milícias cristãs libanesas decidiram invadir os campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila (parte oeste de Beirute), e massacraram a população civil. A ação foi uma represália pelo assassinato do presidente eleito Bashir Gemayel.

Através de conversas com colegas combatentes do exército israelense, Folman tenta recuperar os fatos desse combate, deletados de sua memória. Mas vai além. Tenta achar as origens dos pesadelos e alucinações que tanto o perturbam, usando o cinema como um meio de terapia. É também uma forma de resgatar a juventude e assumir o que poderia ser uma espécie de mea culpa.

Depois de uma longa - e amarga - jornada ao passado, Folman finalmente consegue reavivar as lembranças da guerra e do massacre. É nesse ponto que faz questão de nos despertar do pesadelo para nos trazer de volta à realidade crua e brutal. Realidade esta que muitas vezes é pior que o próprio pesadelo.

O belíssimo filme não foi feito em animação por acaso. Foi também uma forma de atrair um público mais jovem, que não vivenciou esse momento. E a estratégia funciona. Apesar dos delírios que nublam os fatos, poucas vezes um filme de guerra conseguiu ser tão real.

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