segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Revanche das imagens (por Tiago Grandeza)

Concorrente ao Oscar de melhor filme estrangeiro, Revanche é daqueles filmes que envolvem o espectador aos poucos, através da construção gradual da narrativa. Dirigida pelo austríaco Götz Spielmann, trata-se de uma obra onde há predominância das imagens sobre as palavras. Mas esta introspecção é fundamental para a ambientação e compreensão das personagens.
Numa Viena desglamourizada, o ex-presidiário Alex (Johannes Krisch) trabalha para o dono de um bordel, onde mantém um caso secreto com a prostituta ucraniana Tamara (brilhantemente interpretada por Irina Potapenko). Poucos quilômetros dali, numa cidadezinha do interior, vivem o policial Robert (Andreas Lust) e sua esposa Susanne (Ursula Strauss), um casal aparentemente feliz.

Em busca de uma vida melhor, Alex decide assaltar um banco na cidadezinha. Mas o assalto tem conseqüências trágicas, que acabam conectando as personagens. Para se esconder, ele vai para o sítio de seu avô (Hannes Thanheiser). E é no meio dessa nova vida rústica que irá encontrar redenção.
Através dos contrastes, Spielmann consegue traçar um perfil psicológico das personagens bastante complexo. Tudo dentro de seu próprio tempo, revelado aos poucos. E mostra que ainda podemos expressar compaixão – apesar da falta de identificação com o próximo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Boring (por Tiago Grandeza)



Eu me recuso a fazer uma resenha de O Curioso Caso de Bejamin Button. O filme já consumiu três horas da minha vida, e não vou perder mais tempo com essa tranqueira. Mas vi hoje um vídeo muito bom que veio de encontro ao que penso a respeito do filme: é uma variação picareta de Forrest Gump. Como disse um amigo, comida requentada. Eu iria além, e jogaria Titanic no meio da lavagem. Mistura indigestíssima! Não por acaso que o filme não tem levado prêmio algum. E também não podemos dizer que o filme foi um grande sucesso de público.
O diretor, David Fincher, já declarou que não leva o Oscar a sério. Sinal de que sabe que vai sair de mãos abanando.
Para conferir o vídeo, clique no link abaixo.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Danse Macabre (por Tiago Grandeza)

Welcome to my nightmare
Welcome to my breakdown
I hope I didn't scare you
That's just the way we are
When we come down
We sweat and laugh and scream here
Cuz life is just a dream here
(Alice Cooper)


Ganhador do Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e indicado ao Oscar na mesma categoria, Valsa com Bashir foi a forma encontrada pelo diretor israelense Ari Folman para exorcizar seus fantasmas de guerra. O documentário em animação conduz o expectador a um pesadelo que recria a Guerra do Líbano.

Em junho de 1982, o exército israelense invadiu o Líbano com o apoio de milícias libanesas. No ano seguinte, com permissão (ou omissão) israelense, milícias cristãs libanesas decidiram invadir os campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila (parte oeste de Beirute), e massacraram a população civil. A ação foi uma represália pelo assassinato do presidente eleito Bashir Gemayel.

Através de conversas com colegas combatentes do exército israelense, Folman tenta recuperar os fatos desse combate, deletados de sua memória. Mas vai além. Tenta achar as origens dos pesadelos e alucinações que tanto o perturbam, usando o cinema como um meio de terapia. É também uma forma de resgatar a juventude e assumir o que poderia ser uma espécie de mea culpa.

Depois de uma longa - e amarga - jornada ao passado, Folman finalmente consegue reavivar as lembranças da guerra e do massacre. É nesse ponto que faz questão de nos despertar do pesadelo para nos trazer de volta à realidade crua e brutal. Realidade esta que muitas vezes é pior que o próprio pesadelo.

O belíssimo filme não foi feito em animação por acaso. Foi também uma forma de atrair um público mais jovem, que não vivenciou esse momento. E a estratégia funciona. Apesar dos delírios que nublam os fatos, poucas vezes um filme de guerra conseguiu ser tão real.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Gran Eastwood (por Tiago Grandeza)

Clint Eastwood, 78 anos, declarou recentemente que não pretende mais atuar para se dedicar integralmente à direção. Se isso realmente acontecer, ele certamente se despede da carreira de ator com chave de ouro em Gran Torino. Com direito, inclusive, a evocar um de seus mais famosos personagens, Dirty Harry.

Eastwood é o amargo Walt Kowalski, viúvo, ex-combatente da Guerra da Coréia e montador de carros aposentado que passa seus dias na porta de casa resmungando e vendo o movimento da rua na companhia de sua cachorra. O violento bairro onde vive é predominantemente habitado pelo grupo étnico hmong, proveniente do sudeste Asiático. Até que um belo dia, seu vizinho Thao, um jovem hmong, tenta roubar seu carro Gran Torino. Para reparar o incidente, a família do garoto o obriga a trabalhar para Kowalski, e os dois acabam se tornando amigos. Mais do que isso, os dois desenvolvem uma relação de afeto. Walt, que não se dá muito bem com os filhos, decide transformar o jovem em um homem de verdade, com um futuro melhor. Thao, por sua vez, passa a ver Walt como uma figura paterna. Mas uma gangue liderada pelo primo de Thao começa a atormentá-los, e Clint decide proteger o garoto e sua família a todo custo.

Apesar de o roteiro ser muitas vezes previsível, o grande mérito da excelente direção de Eastwood é conseguir tratar de um tema sério – e atualíssimo – mesclando momentos de muito humor, proporcionados por um Kowalski ranzinza. Gran Torino fala de tolerância racial e violência, mas também tenta mostrar que pode haver uma luz no fim do túnel em momentos tensos como este em que vivemos. Apesar das diferenças culturais, não somos tão diferentes assim e temos muito a aprender uns com os outros.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

And the Oscar goes to... (por Tiago Grandeza)

As indicações ao Oscar trouxeram algumas surpresas, umas excelentes e outras desagradáveis. Entre as ruins, destaco o grande número de indicações recebidos pelo chatonildo Milk. Melhor filme? Mesmo? Melhor direção para Gus Van Sant?!?! O que um lobby bem feito não faz... Apesar de estar entre os indicados nas principais categorias, as chances de Milk levar alguma coisa são mínimas - exceto por melhor ator para Sean Penn (merecidíssimo). Mas minha torcida é para o Richard Jenkins (por O Turista) - uma grande e ótima surpresa, já que ele havia sido ignorado pelo Golden Globe.
Melissa Leo, indicada por Frozen River

E a chacoteira master, Angelina, está novamente entre as indicadas a melhor atriz (assim como seu marido, não menos canastra, foi indicado a melhor ator - hahaha). Lobby, meus caros, muito lobby. Mas a categoria melhor atriz trouxe outra grande surpresa - a indicação de Melissa Leo por Frozen River. O belíssimo filme também está concorrendo a melhor roteiro. A grande decepção foi a ausência de Sally Hawkins e Kristin Scott Thomas entre as indicadas. Outra surpresa foi a indicação de Kate Winslet por The Reader, ao invés de por Foi Apenas um Sonho, fato que poderá prejudicar sua predileção.

Em compensação, Michael Shannon foi indicado como melhor coadjuvante pelo filme de Sam Mendes, onde realiza um excelente trabalho. Quem não conhece o ator poderá conferir seu talento no ótimo Possuídos, filme de 2006 dirigido por William Friedkin. Embora todo mundo saiba que o Oscar de ator coadjuvante já é do defunto Heath Ledger, o que é uma pena. Pelo menos a Academia teve o bom senso de deixar o filmeco de Christopher Nolan fora das outras indicações...

Michael Shannon, indicado por Foi Apenas um Sonho

De resto, tudo conforme o esperado. Apesar de ser o recordista de indicações do ano, acho improvável que O Curioso Caso de Benjamin Button leve alguma estatueta. Principalmente porque o filme não foi grande sucesso de bilheteria. O Forrest Gump do ano vai precisar de muito lobby para convencer os votantes de que é bom. Tarefa impossível, eu diria, porque o filme é uma bomba. Além disso, o ano é de Slumdog Millionaire (que será lançado por aqui com o título Quem quer ser um milionário?). Se existir justiça, o filme de Danny Boyle levará os principais prêmios, incluindo o de melhor diretor.

Clique aqui para conferir todos os indicados e façam suas apostas! A cerimônia será realizada em 22 de fevereiro.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Os 25 de 2008 (por Tiago Grandeza)

O que faz um filme ser bom? Roteiro? Direção? Edição? Fotografia? Trabalho dos atores? Uma mistura disso tudo talvez...? Por que alguns filmes mexem tanto conosco e outros não dizem absolutamente nada? Essa é a grande maravilha do cinema: ele é inexplicável.
Depois de muito pensar, decidi finalmente postar uma lista com meus 25 filmes favoritos de 2008. Favoritos sim, melhores não. É impossível comparar trabalhos tão distintos, classificar as emoções que eles despertam. E vale ressaltar que é uma lista pessoal. Ainda bem que existem gostos diferentes e nem tudo agrada a todos.
Detalhe: na lista constam diversas produções de 2007, mas que só chegaram ao Brasil em 2008, seja aos cinemas ou diretamente em dvd. Também constam filme que ainda não estreiaram por aqui. E provavelmente, muitos deles não chegarão. Mas com as ferramentas de hoje, não é difícil ter acesso a todos eles.




25 - Não Quero Ser Grande
Malhada impiedosamente pela crítica, esta comédia tem seus méritos. O insosso Jon Heder (o eterno Napoleon Dynamite) interpreta um bobalhão que tem dificuldades em cortar o cordão umbilical com a mãe (Diane Keaton). A presença da sempre carismática Anna Faris já faz valer o filme, que tem ótima trilha sonora (atenção para os créditos finais, onde Billy Bragg faz um cover hilário da música cantada por Anna no filme). Diversão descompromissada.
24 - Corrida Mortal
Diversão pura - e só! O diretor Paul W.S. Anderson (Mortal Kombat, Resident Evil) criou, mais uma vez, cenas de ação que lembram um jogo de videogame. O filme está cheio de clichês e didatismos, mas quem se importa? O que vale aqui é o entretenimento, e este quesito é cumprido de forma eficiente. Destaque para a grande Joan Allen como a vilã que não pára de atormentar o astro do momento Jason Statham.
23 - Diário dos Mortos
Mais um filme de mortos-vivos do grande George A. Romero. Dessa vez a ação é retratada através de uma câmera na mão. Romero vem se superando a cada trabalho ao usar os zumbis como um pretexto para tratar de assuntos atuais e tecer críticas ferozes à sociedade. Aqui, o que está em discussão é a posição do homem de mero expectador diante dos problemas do mundo. Um fato impressionante é a capacidade de criar cenas extremamente poéticas em um filme - aparentemente - de terror.
Comédia de humor negro com o sempre ótimo Ricky Gervais (do seriado Extras). Após um incidente, um mal-humorado e solitário dentista começa a ver fantasmas, fato que mudará suas perspectivas da vida e do amor. Filme otimista, com um elenco carismático e o tão esperado final feliz. Bem superior aos demais filmes do gênero.
21 - Efeito Dominó
Inspirado em fatos reais, a trama gira em torno de um mirabuloso assalto a banco liderado por Jason Statham e a bela Saffron Burrows. Com ação do início ao fim, o longa de Roger Donaldson (Cocktail, O Novato) prende a atenção e mostra que é possível entreter sem subestimar.
Suspense dramático, o filme foi uma das maiores bilheterias da Espanha em 2007. Belén Rueda (Mar Adentro) tem uma atuação excepcional ao retratar uma mãe desesperada com o desaparecimento do filho. Apesar de não ser original, Juan Antonio Bayona se revela um diretor conciso e conduz a trama com grande segurança. Definitivamente uma história de fantasmas que deve ser vista. Curiosidade: Edgar Vivar, o ator que interpreta o especialista em paranormalidade é o Nhonho/Sr. Barriga do seriado Chaves.
19 - Na Mira do Chefe
O primeiro longa do inglês Martin McDonagh mescla drama e humor negro, situações cotidianas e surreais, e de quebra presenteia os expectadores com belíssimas imagens de Bruges, na Bélgica. Divertido e autêntico, o filme traz excelentes atuações de Colin Farrell e Brendan Gleeson como matadores em conflito, além de uma participação do sempre charmoso Ralph Fiennes.
18 - Choke
Primeiro longa de Clark Gregg, mais conhecido como o ex-marido de Julia Louis-Dreyfus em The New Adventures of Old Christine, esta comédia é a grande subversão do ano. Gregg adaptou o roteiro de um romance de Chuck Palahniuk (autor de Clube da Luta), que trata das desventuras de um viciado em sexo interpretado pelo sempre excelente Sam Rockwell. Transgressor, amargo e cínico, Choke também conta com elenco de apoio magnífico, com nomes como Angelica Huston, Kelly Macdonald, Brad William Henke e Joey Grey.
Estréia do ator Stuart Townsend como diretor e roteirista, o filme retrata os protestos contra a Organização Mundial do Comércio em Seattle, no ano de 1999. A história - ficcionalizada - tenta mostras os fatos através de diversas perpectivas: manifestantes, policiais, jornalistas, políticos, palestrantes e curiosos. Townsend surpreende ao conseguir amarrar as tramas e conduzí-las como um veterano, apoiado pelo excelente elenco (Charlize Theron, Martin Henderson, Woody Harrelson, Michelle Rodriguez, Jennifer Carpenter, Ray Liotta). Impossível não se emocinar e vibrar. De quebra, o filme desperta nosso lado revolucionário adormecido. Belíssimo trabalho.
Primeiro longa do diretor francês Philippe Claudel, a narrativa propõe, com muita delicadeza, uma reflexão sobre recomeço. Após 15 anos presa, a sempre extraordinária Kristin Scott Thomas vai morar com a irmã. Mas a readaptação no mundo fora das grades é difícil. Tão difícil quanto expressar sentimentos.


Fernando Meirelles é, definitivamente, um dos meus diretores atuais favoritos. Condução brilhante, atuações de arrepiar, fotografia impecável. Toda a fragilidade humana mostrada de forma crua e pesada. Não é um filme muito palatável, mas sem dúvidas magnífico. É perfeitamente compreensível o motivo do filme ter sido ignorado nos EUA, afinal eles não estão preparados para obras como esta. Um tapa na cara certeiro.
14 - Låt den rätte komma in
Drama sueco que mostra a amizade entre dois pré-adolescentes. O detalhe é que um deles é uma vampira. Extremamente bem realizado e sensível, o filme é completamente diferente de tudo que já foi feito sobre vampiros. Imperdível!
Mais um grande trabalho de Darren Aronofsky (Réquiem para um Sonho, Fonte da Vida), o filme conta com a impressionante atuação de Mickey Rourke, que definitivamente encarna seu personagem, um lutador em decadência. Desglamourizado e cru, O Lutador nos faz pensar nas coisas que perdemos pelo caminho.
12 - Frozen River
Primeiro longa escrito e dirigido por Courtney Hunt, este belíssimo trabalho prova que um bom filme pode ser realizado com poucos recursos. Destaque para a atuação de Melissa Leo, atriz pouco conhecida do grande público apesar da gigantesca filmografia.
11 - Antes que o diabo saiba você está morto
Mais uma obra-prima de Sidney Lumet repleta de atuações brilhantes (Phillip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Albert Finney, Marisa Tomei). Roteiro enxuto, original e bem amarrado.
10 - [rec]
Câmera na mão e zumbis à solta. Até aí nada de original. Mas o longa consegue arrancar sustos de verdade e deixar o expectador tenso o tempo inteiro. A Espanha se consagra como a nova meca do terror e [rec] é o mais bem realizado filme dessa nova safra. Apavorante!
9 - Chega de Saudade
O único representante brasileiro da lista, dirigido com muita competência por Laís Bodansky (Bicho de Sete Cabeças), não teve destaque merecido. É o tipo de filme que deveria representar o país em festivais e premiações de todo o mundo por tratar de um sentimento universal. A velhice mostrada de forma real, fundamentada por interpretações excepcionais. Comovente.
8 - Garçonete
Não fosse a maldita fatalidade, tenho certeza que Adrienne Shelly se consagraria como uma grande diretora. Por isso, delicie-se com esta sua última obra, simples e delicada, e por que não dizer - feminista? Destaque para a excelente atuação da eterna Felicity, Keri Russell.
7 - Um Beijo Roubado
Outra grande maravilha de Wong Kar Wai, sua primeira falada em inglês. Um trabalho típico – e por isso mesmo tão lindo – de um dos maiores diretores da atualidade. Norah Jones surpreende como atriz, principalmente ao contracenar com feras como Rachel Weisz e David Stratahairn.
6 - Control
Confesso que relutei em ver a cinebiografia de Ian Curtis, por vários motivos. Talvez seja por essa resistência que o melancólico filme de Anton Corbijn tenha me cativado de jeito. Sem cair na pieguice, fato raro em obras deste gênero, Control emociona de verdade.




5 - Frost/Nixon
Baseado na peça de teatro de Peter Morgan, Frost/Nixon utiliza um tom de documentário ao contar os bastidores da negociação, preparação e posterior gravação da entrevista de David Frost com Richard Nixon, três anos após a renúncia de seu mandato. O diretor Ron Howard realizou um trabalho impecável, que merece ser visto e revisto.
O veterano Richard Jenkins emociona na pele de um solitário professor que tem seus valores transformados ao conviver com dois estrangeiros. A retomada da paixão.
3 - Happy-Go-Lucky
Não é pelo Mike Leigh ser meu diretor favorito – de todos os tempos – que seu último trabalho está nesta lista. O magnífico filme retrata a vida com simplicidade, sob a óptica otimista de Poppy (brilhantemente interpretada por Sally Hawkins). Como sempre, Leigh conduz o elenco com maestria.
2 - O Escafandro e a Borboleta
Baseada em fatos reais, a história provoca no expectador uma reflexão sobre a vida. A belíssima direção do sempre genial Julian Schnabel reflete seu trabalho como artista plástico ao mesclar imagens e palavras em pura poesia.
1 - Slumdog Millionaire
Depois de muitos equívocos, Danny Boyle acertou em cheio. O filme traz um pouco de tudo e para todos: drama, suspense, romance e violência, tendo como pano de fundo uma Índia emergida na pobreza. Direção afiada, belíssima fotografia, edição precisa, roteiro impecável e atuações comoventes fazem desta a grande pérola do ano. Obrigatório!

Globo de Ouro

Foi realizada ontem a cerimônia de entrega do Globo de Ouro, prêimo organizado pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. Essa foi uma das poucas vezes em que meus favoritos levaram a estatueta para casa.

Slumdog Millionaire, O FILME de 2008, recebeu os prêmios de melhor filme dramático, melhor direção para Danny Boyle, melhor roteiro para Simon Beaufoy e melhor trilha sonora para A. R. Rahman. Já Kate Winslet abocanhou dois prêmios: melhor atriz dramática pelo trabalho brilhante em Apenas um Sonho e melhor atriz coadjuvante por The Reader. Finalmente o talento dessa grande atriz foi reconhecido, e em dose dupla! Mickey Rourke, merecidamente, levou o troféu de melhor ator dramático por O Lutador. Sua performance no filme é impressionante e o ator realmente encarna o lutador Randy "The Ram". O filme ainda ganhou na categoria de melhor canção pela (bela) composição de Bruce Springsteen.
Minha única ressalva foi o prêmio póstumo dado a Heath Ledger, desnecessário.


Na categoria filme de comédia ou musical, sem nenhuma surpresa, o popular Vicky Christina Barcelona de Woody Allen levou a melhor. A inglesa Sally Hawkins foi contemplada por Happy-Go-Lucky, de Mike Leigh. E Colin Farrell levou o prêmio de melhor ator de comédia ou musical por Na Mira do Chefe, onde realiza um trabalho bem interessante.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Uma lição de cinema (por Tiago Grandeza)

Eu nunca fui fã do trabalho de Ron Howard, apesar de considerá-lo um diretor competente. Filmes como Uma Mente Brilhante, Apollo 13 e O Preço de um Resgate atingiram sucesso de crítica e público, mas para mim sempre representaram o que Hollywood tem de mais careta. No entanto, ao assistir seu último trabalho, Frost/Nixon, fui obrigado a me render. Howard nos dá uma verdadeira lição de cinema, e em minha opinião, realizou sua grande obra-prima.

Baseado na peça de teatro de Peter Morgan, que também assina o roteiro, Frost/Nixon utiliza um tom de documentário ao contar os bastidores da negociação, preparação e posterior gravação da entrevista de David Frost com Richard Nixon, três anos após a renúncia de seu mandato.

Frost é um apresentador bem-sucedido no Reino Unido e Austrália, mas ainda amarga um fracasso na TV norte-americana, onde teve seu programa cancelado. Ele vê na renúncia do ex-presidente Nixon uma oportunidade de alavancar sua carreira nos EUA, ao entrevistá-lo. E, apesar de diversas adversidades, dá início a uma longa batalha para realizar o projeto. Por outro lado, Richard Nixon busca redenção, e ao aceitar a proposta de Frost, visualiza uma oportunidade de mudar sua imagem junto ao povo americano (mas não sem antes cobrar um modesto cachê de US$ 600 mil).
O grande feito de Frost/Nixon é conseguir humanizar os personagens e fugir de qualquer tipo de maniqueísmo sem parecer artificial. Howard achou o tom certo da direção para conseguir dar profundidade psicológica ao filme. Toda a fragilidade humana, em seus mais diversos aspectos, é mostrada com sinceridade, o que desperta simpatia e até identificação no expectador. A “batalha” entre Frost e Nixon apresenta altos e baixos para ambos os lados, mas fica bem claro que o que move esses homens é a mesma coisa. Que é exatamente a mesma coisa que move todos nós. Em entrevista, Howard declarou: “Não é um filme sobre política, é uma história humana sobre o fato de estar no fundo e tentar sair dessa situação usando todas as ferramentas que se tem ao alcance”.

Um dos grandes pilares da obra está no trabalho memorável realizado pelos atores. Tanto Frank Langella (Nixon) como Michael Sheen (Frost), haviam interpretado seus respectivos personagens na montagem teatral, o que certamente deu mais segurança a Howard. O poderoso elenco de apoio também é impecável e conta com nomes como Sam Rockwell, Kevin Bacon, Michael Macfadyen, Oliver Platt, Toby Jones e Rebecca Hall.

Resumindo: Frost/Nixon é um filme soberbo e grandioso, mas extremamente humano. Um grande trabalho de Ron Howard que merece ser apreciado.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Eis a chacoteira (por Tiago Grandeza)

Angelina Jolie talvez seja mesmo a maior estrela de Hollywood na atualidade. Não por suas habilidades artísticas, mas por sua figura. Ao longo dos anos, a atriz trocou sua imagem de rebelde pela de mulher séria, mãe dedicada e boa esposa, sempre preocupada com causas sociais.
Mas Angelina é produto direto do marketing hollywoodiano. Basta lembrar do Oscar que recebeu em 2000 por atriz coadjuvante em Garota, Interrompida. Na época, ela concorreu com Catherine Keener (por Quero Ser John Malkovich), Cloë Sevigny (por Meninos Não Choram), Toni Collette (por O Sexto Sentido) e Samantha Morton (por Poucas e Boas).

Já te falei mil vezes, Aniston! O Brad agora é meu!

Este ano, Angelina está cotada (e muito) por seu trabalho em A Troca, de Clint Eastwood. Com uma direção convencional, que muitas vezes lembra a de um telefilme, a obra é um suposto veículo para o “talento” da estrela. Não é ruim, pelo contrário. A história, baseada em fatos reais, é interessante e prende o expectador. Mas o filme apresenta vários defeitos, dentre eles ser longo demais (uma nova edição calharia muito bem, obrigado). Mas isso é até passável já que Clint é um diretor totalmente old school. No entanto, o principal defeito de A Troca é a performance de Jolie. Algumas das cenas mais dramáticas são passíveis de risos, e não dá para deixar de comparar sua atuação com a de uma amadora fazendo teste para a novelinha Malhação.

Não é a mamãe!

Eu até entendo o poder dos estúdios em colocar a moça em premiações e festivais mundo afora. Mas o que eu não compreendo é a rasgação de seda de diversos críticos em relação ao seu desempenho no filme. Demência coletiva? Só pode.
Não me espantaria se ela saísse com o Globo de Ouro e o Oscar nas mãos, afinal premiações com estas querem mesmo mídia. Principalmente pela audiência fraca dos últimos anos. Para eles, quanto mais pop melhor. E é isso que o povo quer: ver a tela cheia com a imagem do casal Jolie-Pitt.
O filme em si

Segundo o folclore europeu, changeling (título original do filme) é uma troca de crianças: uma fada ou troll deixa sua cria no lugar de uma criança humana. O motivo é o desejo de ter um serviçal humano, para ter o amor de uma criança ou por pura maldade. Na trama, Christine Collins é uma mãe solteira cujo filho desaparece misteriosamente. Pouco tempo depois, a corrupta polícia de Los Angeles aparece com uma criança, o suposto filho desaparecido. Mas coração de mãe não se engana e não demora muito para que a heroína, com a ajuda de um reverendo (John Malkovich), bote a boca no mundo e revele os podres por trás de toda essa história. Só que isso vai custar um preço bem alto para Christine.

Apesar do ritmo lento e da péssima atuação de Jolie, o filme é bom e competente ao mostrar a luta de uma mãe desesperada. As tramas paralelas também são muito bem realizadas por Eastwood. Merece uma bisolhada.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Ofício divino (por Tiago Grandeza)

O excepcional trabalho de alguns atores é responsável pelo sucesso de crítica e público de diversos filmes, que certamente não seriam tão comentados se não fosse o desempenho de seus protagonistas. Recentemente, uma onda de filmes se encaixa perfeitamente nessa categoria.

Este é o caso da cinebiografia Milk – A Voz da Igualdade, de Gus Van Sant. A direção é extremamente convencional e quadrada, o roteiro pouco criativo, e o filme, em diversos momentos, enfadonho. Mas a atuação de Sean Penn é extraordinária e carrega o filme nas costas. Ele interpreta o político e ativista gay Harvey Mik com uma sutileza única, que passa longe de qualquer esteriótipo. Se alguém ainda tinha dúvidas, este trabalho o coloca entre os grandes atores da atualidade. Outro destaque é um irreconhecível Emile Hirsch (Speed Racer, Na Natureza Selvagem), grande promessa da nova geração. O filme também vale ser visto pela própria história de Milk, que lutou arduamente pelos direitos dos homossexuais nos Estados Unidos até ser assassinado à queima-roupa pelo rival político, Dan White (interpretado pelo superestimado Josh Brolin).


Outro trabalho que vale ser conferido é a atuação de Kate Winslet em Apenas um Sonho, de Sam Mendes (marido de Kate na vida real). O filme reúne novamente o par de Titanic e conta os dramas de um casal de classe média norte-americana nos anos 50. April e Frank Wheeler são aparentemente felizes e vivem com os dois filhos em um subúrbio de Connecticut. April é uma dona de casa que abandonou o sonho de ser atriz, enquanto Frank tem um emprego bem remunerado, mas tedioso. Assim, o casal não sabe se vai atrás de seus verdadeiros desejos ou enfrenta o peso do conformismo. A irregularidade do filme enfraquece a reflexão a que ele se propõe, apesar de alguns belos e profundos momentos, e o final forçadamente catártico - tipicamente hollywoodiano - azeda de vez a obra . Mas Winslet consegue hipnotizar o expectador com seu brilhante trabalho de atriz. DiCaprio não compromete e mostra um trabalho um pouco mais maduro, mas ainda longe da perfeição. Decepcionante, mas digno de uma espiada.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Os Melhores (por Kelly McQueen)

Listar os melhores de 2008 foi difícil.
Como eu estive fora do Brasil a maior parte do ano passado, vi poucos filmes e selecionei entre eles os melhores e os piores (post anterior).

Filme: O Turista












Diretor: Laís Bodansky (Chega de Saudade)












Ator: Richard Jenkins (O Turista)









Ben Kingsley (Fatal)








Atriz: Conceição Senna, Cássia Kiss, Maria Flôr, Tônia Carrero, Betty Faria e Miriam Mehler (Chega de Saudade)












Ator Coadjuvante: Robert Downey Jr. (Trovão Tropical)












Atriz Coadjuvante: Hiam Abbass (O Turista)










Roteiro: Thomas McCarthy (O Turista)